Vejam a velocidade com que os governos levam nosso suado dinheirim...

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

Alô, alô marcianos... Ticando


Saiba se você tem implante alienígena 

ou se já foi abduzido


1- Já teve algum episódio de tempo perdido?   

2- Já se sentiu paralisado na cama? 

3- Tem alguma marca a qual você não sabe explicar? 

4- Já viu esferas de luz, flashes? 

5- Teve recordações de voar muito nítido ou muitos sonhos que 
envolvem vôo? 

6- Já sonhou com ETs, sendo examinado, agulhas, cirurgias, bebês 
estranhos? 

7- Já viu feixe de luz, névoas em seu quarto entrando por sua 
janela? 

8- Já sonhou com Discos voadores, focos de luz ou ETs? 

9- Já viu algum objeto não identificado? 

10- Tem consciência cósmica, ecológia,ambiental,vegetarianismo 
ou  senso humanitário? 

11- Tem um sentido forte de ter uma missão ou tarefa importante
 a executar, sem saber de onde vem essa compulsão? 

12- Tem um sentimento secreto que você é "especial"ou "escolhido" de algum modo.

13- Aconteceram eventos especiais e estranhos no decorrer de
 sua vida? 

14- Teve experiências psíquicas tais como saber o que vai
 acontecer antes que aconteça? 

15- Para mulheres somente: Tiveram gravidez falsa?

16- Acordou em outro lugar onde você foi dormir, ou em posição diferente?

17- Já sonhou com olhos tais como olhos de animais (corujas, 
cervos) ou sentir que estão te olhando? 

18- Já acordou no meio da noite com a impressão de ter gente em
 seu quarto? 

19- Já sentiu sensação de estar sendo levado contra sua vontade?

20- Tem algum tipo de fobias inexplicavelmente? (altura, serpentes, aranhas, insetos grandes, determinados sons, luzes brilhantes, estar sozinho?


21- Enfrentou problemas de se sentir só no mundo? 

22- Alguém já experimentou com você a sensação de paralisia, imobilidade especialmente quando você dorme a seu lado?

23- Tem memória de haver um lugar especial com significado espiritual?

24- Existem pessoas em sua vida que diz ter testemunhado um OVNI ou ET?


25- Em alguma época de sua vida, você acordou com manchas de sangue em sua cama, sem nenhuma explicação?

26- Tem interesse em assuntos relacionados a UFOs? 

27- Ou ao extremo; Tem aversão a esses assuntos e evita falar sobre eles mesmo que já tenha vivido alguma experiência assinalada nesse questionário?

28- Foi compelido a andar para uma área afastada ou desconhecida?

29- Já sentiu a impressão de estar sendo observado especialmente ä noite?

30- Já sonhou com pessoas passanso por janelas fechadas ou atravessando paredes?


31- Já viu uma névoa ou um embaçamento estranho onde não 
deveria estar? 

32- Ouviu sons como zumbidos ou pulsantes se você poder 
identificar a fonte? 

33- Já acordou com sangramento nasal ou auditivo entre 
outros? 

34- Já despertou com uma sensação estranha em seus genitais 
que não foram explicados? 

35- Já sentiu problemas de garganta (nada relacionado com infecções) e na vertebra T-3 ou acordou com uma rigidez incomun
 em qualquer parte do corpo (não cãimbras)? 

36- Já teve sinusite crônica ou problemas nasais? 


37- Já passou por algum aparelho eletrônico e estranhamente ele deixou de funcionar (luzes, tvs, rádios etc)?

38- Já viu alguma figura próxima a sua cama? 

39- Ouviu sons frequentes ou esporádico em suas orelhas,
 especialmenste em uma orelha? 

40- Tem medo incomum de doutores ou tende a evitar 
procedimentos médico? 

41- Tem insônia ou desordem no sono? 


42- Tem sensações estranhas freqüentes ou esporádicos especialmente nos seios da face, atrás de um olho ou em uma 
orelha? 

43- Já teve a sensaçãode que você pode ficar louco? 


44- Já experimentou experiências paranormais, psíquicas
 incluindo a intuição?

45- Tem tendências a comportamentos compulsivos ou aditos?

46- Já canalizou mensagens telepáticas ou extre-terrestres?

47- Já ouviu alguma voz em sua cabeça talvez instruindo ou guiando?

48- Quando criança, tinha medo de que alguma coisa estivesse escondido em seu quarto?


49- Teve problemas sexuais ou de relacionamento (tais como um "sentimento impar" onde você não deve se envolver em nenhum 
relacionamento porque interferiria em algo? 

50- Tem que dormir de encontro à parede?

51- Receia que você deve estar vigilante ou você derá banido de alguma forma?


52- Tem dificuldades de confiar nas pessoas especialmente 
figuras de autoridade? 

53- Teve sonhos de destruição ou catástrofe? 


54- Tem sentimentos de que você não deve falar sobre certos 
assuntos? 

55- Experimentou mais de 15% desta lista e familiares também?


56- Já tentou resolver esses problemas com especialistas, médicos, religiosos sem nenhum sucesso?

58- Tem mais de 20% dessas características mas não consegue 
lembrar sobre abdução ou encontro com ETs? 

Mansidão ou servidão, se for a segunda é voluntária.

Era final da primeira metade do Séc XVI quando com apenas dezoito anos o jovem francês Etienne de La Boétie escreveu um pequeno livro intitulado “Servidão voluntária”. 

Pois bem: Era,  depois da invenção da imprensa a primeira obra não castradora a exemplos de tantas outras em especial as de cunho religioso até então publicadas, mas uma obra de cunho ultra-libertário.

Nele, La Boétie sustentava a ideia de que são as pessoas que dão poder e sustentam os tiranos. Por isso mesmo, essas pessoas sustentáculos desses mercenários déspotas, são muito mais dignas de desprezo do que os ditadores.

E é com este sentimento que vivo ultimamente (não deveria, mas não consigo mudar assim tão drasticamente) em relação a tantos que não pertencendo à aristocracia, à plutocracia, nem à burguesia, e que se achando pertencerem, ou por voluntarismo mesmo foram às ruas bater num governo que mesmo com seus defeitos tinha um dos maiores ideais progressistas desde que Cabral aqui aportou. Enjoado!

E não parou por aí. La Boétie formou-se advogado pela Universidade de Toulouse para depois se tornar juiz altamente admirado pela integridade de sua personalidade. Com seu caráter ilibado, libertário e equânime arbitrou com justiça muitas contendas entre católicos e protestantes. Ficaria imortalizado pelos feitos de justiça.

O obra era tão inspiradora no quesito rebeldia que na fatídica noite de massacres que ficara grafada na história como ‘noite de São Bartolomeu” onde católicos fanáticos dizimaram milhares de vidas inocentes os protestantes usaram como instrumento de reação. Como eu não sei. Preciso ainda ler esta obra.

Montaigne, seu melhor amigo então com 31 anos viu La Boétie morrer com 33. 

Coincidência ou não a mesma idade de Jesus quando crucificado.

Graças à audácia de um editor francês mais de meio século depois “Servidão voluntária” saía da clandestinidade (pois até aquela época era lida às escondidas) e ía parar no prelo ganhando reconhecimento em larga escala.

O título é atraente. Esta obra vai para a fila de leitura deste ignorante escriba. Com o critério de prioridade.

Enquanto isso, caladinhos estão todos os que atiraram pedras no PT, no Lula, na Dilma e no governo democrático e progressistas, assistindo de camarote um golpe dado por uma quadrilha de gangsters sem escrúpulos e sem caráter que lhes tiram (e de mim também) os direitos mais básicos. É essa gente a mais digna de desprezo. Não existe outra.

Mas ainda há tempo. Bastar erguermos a cabeça e inspirado no poeta e ativista social inglês Percy Shelley, rise like lions after slumber.

Ou os leões vão esperar o estômago esvaziar para soltar o primeiro urro?

Tenho dito… E sempre!!!





quarta-feira, 14 de setembro de 2016

A crônica quase im'perfeita

Por medo errei em quase tudo tentando apenas acertar. E hoje justo em conversa com sábio amigo que carrega mais janeiros nas costa do que eu falamos bem pouquinho destes medos. -Uma esperança? -O medo... Que ele não me mate tão novo ainda. Se muitos resistiram, por que eu não? É bem verdade que as baterias da vitalidade já dão sinais de "low power". Uma coisa é certa. Pelo menos é o que dizem por aí sobre o medo: "Ou ele lhe mata ou faz com que voce se mate." Sái prá la coisa ruim...

Os erros, nenhum deles propositais, apenas consequências do estouvo de uma alma inquieta, muitos deles não podem ser reparados. E a angústia não pára. Como não pára as reflexões e a vontade de dar um "rewind time". Sem sucesso...

Pois bem:

-Não! Aquele estilete ali é para apontar lápis... A faca é para cortar pão... Nem pensar na substância química mil gatos... É letal!

A mente fervilha e sofre em seus malucos devaneios ora senil ora recheados de loucura...

-Não! Nem pense em avançar sobre a arma do vigilante que se distraiu e fazer uma besteira consigo... Isso não vai resolver os problemas... Só vai agravá-los...

-Poe tudo nas mãos de Deus, as dores, as decepções, os desenganos...  Tudo... Tudo mesmo se esclarecerá no tempo certo... Pode não ser agora. O que é mesmo uma vida no relógio da eternidade?

-Um segundo... 

-Pois então... Aguarde um segundo que tudo isso passa.. E quando passar as novas oportunidade surgirão. Isso se não deixares coisas por fazer...

-Resistir é preciso então?

-Sim...  É preciso sim... Resistir e não desorganizar as peças do quebra cabeça. Às vezes ele já está quase montado e mais uma jogada desastrosa só fará piorar a situação...

-Mas meus ídolos morreram todos jovens demais. Jesus, Lavosier...

-Calma aí meu jóvem: Jesus não morreu... Jesus fora assassinado e Lavosier... Bem lavosier... Ah... Você que tem um pouco das qualidade do químíco francês... Se cuide então...

-Mas, e  Rimbaud, Emily Brontë, Castro Alves?

-Estes dois últimos foram vítima de tuberculose, e Rimbaud talvez pela imprevidência. E por falar em imprevidência...

-Eu sei...

-Pois então... Pare de olhar no retrovisor e sofrer pelas frustações pretéritas... Marque o compasso e siga em frente! Com fé na abençoada bondade e misericórdia divina.  No final o quebra cabeça será montado e todas as peças ficarão no se devido lugar. Sob a proteção de Deus.

Que assim seja!

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Rede social II

-Me entregua o mardita desta etiqueta!!! Sabemos que está com ela… Gritava e batia de maneira esterica na mesa Dr. Auzenhawer…

-Não sei do que o senhor está falando... Respondi... Sabe sim seu filho da p...

Mesmo ante ao medo extremo eu ia pedir respeito pela Dona Benó, mas adentra à sala Fritz, o senhor grisalho que me vigiara na ante sala e em tom imperativo fala: 

-Pare! Não está com ele. Revistamos todos os pertences e não encontramos. Ele deve ter extraviado a mesma.

-Mas pode ter engolido quando foi ao WC.

-Não! Os exames de imagem também não mostraram nada novo estômago. Podemos liberá-lo. Infelizmente perdemos o mardita etiqueta. Tudo culpa deeeeesssssteee...

-Levanta... Vai... Soooortudo...

Entre aliviado e ainda receoso eu pensei: "-Como são burros. Tiveram acesso a todos os meus pertences, carteira, sapatos, roupas e não descobriram que eu enfiei a tal etiqueta na barra da calça?  Já não se fazem alemães como antigamente..."
Saio de fininho e o medo me bate novamente nos cotovelos. E se tudo não passar de uma armadilha. Teriam achado a etiqueta, me liberariam e para não gerar suspeitas me atropelariam na rua antes que eu passasse as informações para familiares... Ai.. Que coisa! 
E segui... Ainda no recinto da clínica, fiz questão de sair normalmente sem me certificar se a etiqueta ainda estava na barra da calça. Sai... Caminhei novamente até a parada do coletivo. Me certifiquei se não tinha sido seguido. Início da tarde parada deserta. Só eu aguardava a condução e só eu subi. Já dentro do ônibus e seguro via todos passageiros, condutor e trocador como agentes. Que coisa novamente!
Tarde quente coletivo sacolejando e depois de uma hora entre transito fechado e sinais vermelhos chego à parada destino. Desço! Um giro de 360° em torno de mim mesmo para me certificar de que não havia mais inimigos por perto.
Não havia é certo, prova disso é que quatro meses depois estou aqui. Mas não parecia. 

Cada transeunte, cada carro para mim era uma ameaça.

-E a etiqueta? 

-Ah! A etiqueta? Aqui está ela.



O Dr. Antonio Xxxxxxxx Xxxxxx Neto, não tenho dúvidas era o alvo dos agentes Auzenhawer e Fritz.

Assim que tomei nas mãos a revista Planeta e mesmo antes de começar a folheá-la como por intuição senti uma vontade louca de arrancar a etiqueta de identificação do assinante como também o endereço, não por má intenção, mas justamente para proteger aquela alma ingênua que doara o exemplar para a sala de espera da clínica sem retirar o DNA de seu doador, ou seja: Nome completo, endereço ídem e cep. Qualquer um cheio de más intenções (e a dupla que me perseguira não tinha cara de bons moços) de posse daquele pedaço de papel chegaria fácil ao seu objetivo, Dr. Antonio.

E eu tinha sido o obstáculo. A razão pela qual Fritz e Auzenhawer, me perseguira e me torturaram psicologicamente por várias horas, sem sucesso e para sorte de Dr. Antonio. 
Moral da história, mesmo que cansativa e aparentemente sem sentido: Cuidado! Cuidado! Engenharia social... É preciso muito, mas muito cuidado mesmo com dados pessoais. O estrago que uma simples etiqueta de enereçamento postal pode nos causar quando nas mãos de pessoas inescrupulosas. Dr. Antonio poderia ter passado por maus bocados nas mãos daqueles dois. Fritz e Auzenhawer.

Tenho dito... E sempre!!!


quinta-feira, 25 de agosto de 2016

O patinho feio

Tudo começou quando a mãe confidenciou à maior e melhor de todas as amigas: "-Isso mesmo, ele é muito estranho. Chorava constantemente quando estava ainda na minha barriga antes de nascer... Achava estranho, mas tinha medo de falar para as pessoas. Depois que nasceu tem um olhar estranho. É como se mesmo ante a inocência de uma criança por trás do olhar tenha uma pessoa adulta a nos observar. Estranho. Isso é um tanto estranho...

-Vixe Maria, mulher! Que coisa?"

Assim reagiu a maior e melhor de todas as amigas e confidentes. Devagarinho o segredo se espalhou pelo arraial mesmo que a boca miúda ou passado de pessoa a pessoa em boca de cumbuca o fato chegou aos ouvidos de muitos.

-Tem poderes sobrenaturais!
-É um bruxo!
-É um iluminado!
-Vai fazer xixi na rede até ficar adulto!
-Mantenham distância!
-Úi... lá vem ele!

Ele e os parentes viveram uma vida a ouvir estas coisas. Apenas uma delas comprovadamente aconteceu e cheio de constrangimento ele me confessou. Não segurava e constantemente molhava os lençóis enquanto dormia. Era uma tortura quando tinha que dormir fora de casa.

Assim cresceu! A forte ligação com o sobrenatural, a natureza, o céu, as estrelas se fortaleciam à medida que crescia, veio a sofrer uma quase ruptura no início da adolescência se estendendo por quase duas décadas, que pareceu levá-lo a um mundo mais materializado. Ledo engano. Os Déjà vus que vez por outra se lhe abriam frente aos olhos não mais o assustavam apenas o deixava com a sensibilidade mais excitada. 

Dormir era um exercício religioso. Como se (e isso hoje é uma constatação) dormir desse uma liberdade total àquela alma presa ao mundo material. Aí a explicação para as inúmeras vezes que molhou os lençóis.

Um chefe, sem saber dessas qualidades e tratando informalmente sobre esta questão certa vez lhe falou: "-Toda criança que faz xixi na rede tem um transtorno psicológico...Ele riu, respeitosamente como se a dizer: "-Não há como contestar um ser ainda materializado e que não vai entender o que significa desdobramento total entre alma e corpo físico, especialmente durante o sono."

E eles os Déjà vus se intensificaram. Mostrando coisa às vezes assustadoras, outras nem tantos. Se acostumou com essa estranheza. Poderia ter se educado, se doutrinado melhor e sido o trabalhador da primeira hora, mas não.

Sabe de onde veio, mas pouco sabe o porquê apesar das inúmeras buscas e tentativas. Para onde vái? Pôe nas mãos de Deus o destino meio incerto. Suplicando a infinita bondade, misericórdia e amor Divino ergue a cabeça e já dar os primeiros passos. Pela estrada estreita...

Que Deus nos seja proteção sempre! 





quarta-feira, 24 de agosto de 2016

terça-feira, 23 de agosto de 2016

quarta-feira, 25 de maio de 2016

Rede social...


Depois de quase uma hora chacoalhando em um coletivo lotado, mesmo ante a simpatia de guerreiros trabalhadores e trabalhadoras que iriam iniciar o labor, chego com satisfação ao ponto em que eu desembarcaria. Caminhei quatro quarteirões a observar o transito caótico da manhã em grande avenida e enfim cheguei ao meu destino. Endereço e clínica já conhecidas, mas havia algo novo e eu não conseguia descobrir.

Depois de muito olhar pela vidraça descobri que a porta não era mais automática. Tinha uma faixa que em tom imperativo dizia: PUXE. Puxei e entrei… A moça me encaminhou para o setor onde seria atendido. Entrego a documentação e fico aguardando ser chamado para os procedimentos administrativos, sabendo que a espera seria longa. Já não tinha chegado tão cedo e muitos já se encontravam à minha frente.

Pego um exemplar da revista Planeta e me sento junto de um senhor que examinava alguns papéis. Cabelos grisalhos, corpo meio franzino de aparência tranquila, vez por outro me focava com o olhar por sobre a lente dos óculos. Marquei o senhor (seria um espião?) e pensei: “-Também estou de olho no senhor.” Pus-me a folhear Planeta lendo com mais atenção assuntos interessantes divagando pouco nas peças publicitárias e segui. Vez enquanto levantava a cabeça flagrava o senhor grisalho me observando. Discretamente ele voltava a mexer em seus papéis.

Finalizo a leitura e inocentemente destaco a etiqueta de identificação do dono do exemplar. “-Mas para que querias mesmo o DNA do proprietário da tal publicação?” Eu ouviria esta indagação, depois da paranoia que me tomou conta dos pensamentos. Pensando não está sendo observado dobro-a e coloco na carteira. O Senhor protagonista deste enredo me observa com olhar reprovador… Sem jeito, e já amarelado, solto um sorriso sem graça e penso: “-Será que ele notou mesmo eu fazer isso? Vai me denunciar? Retiro a peça da carteira e sem sucesso tento colar de volta no lugar… Como disse: -Sem sucesso…” Mas já tinha feito a besteira. Duas câmeras também testemunharam meu “ilícito”.

Tinha que me desfazer da prova do crime, (a etiqueta) mas também precisava muito da mesma… E agora? Poderia ter me privado daquele vexame. Ido ao WC e lá me apossado da mesma sem as vistas de testemunhas… Mas não… Não tinha como voltar atrás.

Olho novamente para as câmeras, para o senhor espião e para todos os presentes discretamente. Cruzo a perna direita sobre a esquerda, coloco um grande envelope sobre a revista, e o conjunto sobre meu cólon e pernas… Pronto! Como num passe de mágica camuflaria tudo e ainda levaria para casa o objeto de minha cobiça. Sem chamar a atenção. Rasgo a costura e abro uma pequena brecha na barra da calça, dobro em forma de cigarrilha a bendita etiqueta e enfio lá. Me asseguro de que a mesma está bem fixada no embanhado da calça até ser resgatada em lugar apropriado. Tudo às escondidas. Poderiam até desconfiar de meus movimentos, mas quem imaginaria estar eu escondendo na barra da calça uma simples etiqueta? Me tranquilizo um pouco, mas sem baixar a guarda. Mantenho vigilância no comportamento dos personagens já descritos. O medo de ser desmascarado ali como uma ondo do mar, ora baixava ora aumentava… Tenho que administrar isso… Pensei com as mãos geladas e suorentas…

De repente: “-Senhor Auzenhawer?” Aquele nome penetrou em meus ouvidos como alfinete… Pronto… Feito estátua de gelo eu fico estático na cadeira… Sem saber quem pronunciava novamente eu ouço: “-Senhor Auzenhawer?” E nada de resposta… Pronto… Eu tinha sido descoberto… Um agente da Gestapo estava alí e me levaria… Crio forças, levanto a cabeça e vejo um senhor de postura física avantajada, vestindo calça amarelada e camisa branca de óculos de pé bem à minha frente. Era ele… Sim… Era ele o tal de Auzenhawer… Convidado pela moça detentora da vóz ele a segue… Iriam para sala de exames ou iriam planejar como me prender… Dúvidas e medos… Medos e dúvidas… Me prenderiam alí mesmo? Esperariam para depois dos exames que eu faria, razão de eu está alí… Ou o que é pior… e isso me paralisava: “E se durante os meus exames, ao invés de contraste ingetassem cloreto de patássio… Ai… ”


Pronto! Eu realmente estava frito… De repente os espaços brancos e iluminados da suntuosa e moderna clínica se transformaram em um labirinto de cor marrom típico dos porões onde se jovagam prisioneiros políticos na primeira metade do século passado. O cenário era devastador. Eu poderia sair dalí correndo… E se me pegassem? Poderia erguer a cabeça e perecer como todo espião cabra macho… Enfrentar. Sem medo! Seja o que Deus quiser… A etiqueta está comigo, o senhor grisalho não é páreo para mim, (e se fosse? Que feio, apanhar de um septuagenário!!!) O problema mesmo era Auzenhawer. Não o via mais por alí… Talvez fossem fazer tudo discretamente para não chamar a atenção… Era isso… O medo voltou… O Silêncio continua, já é quase meio dia, as pessoas estão aos poucos indo embora e eu no meio dos poucos que ficaram. Não vi o sr.. Auzenhawer a exemplo dos demais retornar… Era ele… Sim, era ele o agente que me interrogaria…

-Mr. Dom Manepa?
-Sim… sim… respondo reticente…
-Pois não, o senhor pode me acompanhar?
-Sim… 

A vontade era de sair correndo… Já na sala de exames o diálogo frio:

-Deite-se nesta maca e relaxe... -Vou dar um pequeno beliscão em sua veia… 
-Tu… tu… tudo bem…
-Não irá doer… você vai sentir um leve sono…
Por questão de orientação temporal eu pergunto: -Que horas são?
-Meio dia e dez minutos… Deite-se por favor e relaxe… Você vai… E me aplica uma substância na veia…
Por questão de orientação… Eram 12:10 AM, e começo a contar, batendo com o dedo maior de todos em minha perna, 1… 2… 3… 4… 5… ; 13…

Isso mesmo… treze fora a lembrança de meu último minuto consciente, para acordar examinado, eu tenho a prova pois recebi o resultado logo após o que se segue:

Atordoado acordo com uma voz a falar: -Dom Manepa? Tudo bem? Pode levantar…
-On… on…. onde estou?
-Fique tranquilo…
-On… on…. onde estou?
-Fique tranquilo… Dr Auzenhawer vem já falar com o senhor…
-Não… não pode ser… Eu estava certo em minhas desconfianças… Era realmente Dr. Auzenhawer o agente se passando por paciente… Pensei... (não foi com meus botões pois estava de bata hospitalar e elas não possuem botões… minha roupa tinha ficado em outra sala…)
-Onde está esta mardita etiqueta? Gritou Auzenhawer adentrando à sala onde eu me encontrava
-N… nã… Não sei… Não a peguei…

E se a descobrissem escondida na barra da minha calça… Eu estava morto…
-Pegou sim… Gritou Auzenhawer… Fritz, (só depois eu viria saber que o senhor de cabelos grisálhos era Fritz) viu você destacando e guardando na carteira. E nossas câmera também filmaram tudo…

Eu estava realmente certo em minhas desconfianças… Não era imaginação… Tudo… Todos ali me flagraram roubando a etiqueta… E agora meu Deus…

-Me entregua o mardita desta etiqueta!!! Sabemos que está com ela…

A sala extremeceu com o grito ensurdecedor de Dr. Auzenhawer…

Continua no capítulo final...