Vejam a velocidade com que os governos levam nosso suado dinheirim...

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

OS NEGROS DO BRASIL


Sob o domínio espanhol, Portugal sofria todas as conseqüências da sua desídia e imprevidência.

A Espanha guardava o cetro de um império resplandecente e maravilhoso. Suas frotas poderosas cobriam as águas de todos os mares, carregando os tesouros do México e do Peru, do Brasil e das índias, os quais faziam afluir para Madrid a mais elevada porcentagem de ouro do mundo inteiro.

Até hoje, comenta-se com espírito a célebre frase de Francisco I, exprimindo o seu desejo de conhecer a disposição testamentária de Adão, que dividira o mundo entre espanhóis e portugueses e o deserdara.

A esse tempo, a terra do Evangelho não é mais conhecida pelo nome suave de Santa Cruz. Ã força das expressões comuns, dos negociantes que vinham buscar as suas fartas provisões de pau-brasil, seu nome se prende agora ao privilégio das suas madeiras.

Os missionários da colônia protestaram contra a inovação adotada; mas, as falanges do Infinito sancionaram a novidade imposta pelo espírito geral, considerando as terríveis crueldades cometidas na Baía de Guanabara, em nome do mais caricioso dos símbolos. 

A sanção de Ismael à escolha da nova expressão objetivava resguardar a pátria do Cruzeiro dos perigos da Inquisição, que na Europa fomentava os mais hediondos movimentos em nome do Senhor.

A situação, no Brasil, sob todos os pontos de vista, como a da metrópole portuguesa, era dolorosa e cruel, embora governado por funcionário de Lisboa, segundo as combinações estipuladas na Península.

A raça aborígine e a raça negra sofriam toda sorte de humilhações e vexames. Os índios procuravam o Norte, em busca dos seus amigos franceses, que, expulsos do Rio por Mem de Sá, concentravam suas atividades no Maranhão, onde pretendiam fundar a França Equinocial, preocupando seriamente as autoridades da colônia. 

A situação geral era a mais deplorável. Ismael e seus abnegados colaboradores sofrem intensamente em seus trabalhos árduos e quase improfícuos, no sentido de organizar o Instituto sagrado da família nas florestas inóspitas, onde os brancos não dispensavam consideração às leis humanas ou divinas, na condição de superioridade que se atribuíam.

Aos céus ascendem os aflitivos apelos dos obreiros invisíveis: — Senhor! — exclama Ismael nas suas preocupações — estendei até nós o manto da vossa infinita misericórdia. Enviai-nos o socorro das vossas bênçãos divinas, para que as nossas vozes sejam ouvidas pelos espíritos que aqui procuram edificar uma pátria nova. Nosso coração se comove ante os quadros deploráveis que se deparam às nossas vistas. Por toda parte, vêem-se os infortúnios das raças flageladas e sofredoras.

Fonte: Brasil, coração do mundo, pátria do evangelho. Obra espírita psicografada por Chico Xavier.

P.S.: Obra também aqui já apresentada várias vezes, inclusive como livro de leitura para todos, independentemente de credo religioso. 

P.S. 2: Obra que deveria obrigatoriamente ser lida por todos os professores de história. Sem distorção de interesses. Relata por quem viu do alto tudo que ocorrera na Terra do Cruzeiro desde os primórdios de sua formação.


Nenhum comentário:

Postar um comentário