Vejam a velocidade com que os governos levam nosso suado dinheirim...

sexta-feira, 8 de março de 2013

Estou ficando velho, obsoleto e o que é pior, burro!!!!



Lembro com certa dose de saudosismo de meus tempos de estudante que se iniciaram faz uns quarenta janeiros... Primeiro uma carta de ABC...

Depois uma cartilha, um caderno, um lápis apenas e nada mais... As letras aos poucos e umas mal traçadas linhas saíam com certa dificuldade mas com também um certo vigor de minha pena tremulante...

Depois veio a tabuada de aritmética... Todas estas lições me foram passadas por dona Benó, que além de genitora deste escriba mor sucupirano também fora sua primeira e principal mestra...

Aí veio o meu primeiro livro por assim dizer. Não sei dizer nem saberia em que ano regular e equivalente aos dias de hoje me encontrava... Era o livro Novo Nordeste... Acho que publicação imposta pela política ditatorial da época, porem com uma abordagem apenas regional...

E assim a gente ia inchando o bolo do conhecimento e do saber... Tudo isso lá pelas bandas de pé da Serra Penaduba...

Já sem ter como me transmitir mais conhecimentos, eu já ultrapassara os seus, lia, escrevia e calculava as quatro operações de aritmética básica com certa desenvoltura, pois dona Benó era professora leiga, me vi num gargalo... Pararia alí...? Pegaria a foice...? O machado...? A enxada...?

Nada contra os bravos sertanejos que manuseiam tais ferramentas... Mas minha mente contestadora queria mais...

Li, e reli várias vezes, um grande Atlas Histórico Escolar, examinei meticulosamente o Atlas Geográfico Escolar, volumes também de propriedade de minha velha mestra e genitora.

Já conhecia um pouco das coisas do mundo. Sabia que era preciso avançar... Com certa dificuldade, caminhei até a cidade (grande?) Coreaú e por alguns anos perigrinei pelas casas de perentes mais próximos para concluir o primeiro grau. (É o novo!!! Royalties para Neno Cavalcante do diário do nordeste...)

Ampliei meus parcos conhecimentos com as belas e radiosas aulas de Comunicação e Expressão, ministradas pela saudosa professora Maria Queiróz, e pela professora Maria Neuracir, aprendi a contar até dez em Inglês, com as sóbrias aulas do teahcer Antonio Moacir, até me imaginava a perambular pela quinta avenida e quando a fome apertar se achegar em alguma lanchonete para pedir cachorro quente e coca cola... Estava me preparando para além fronteiras, imaginava...

Lavar as mãos antes das refeições foram lições reforçadas nas aulas de Programas de Saúde ministradas por outro grande mestre da época... Até raiz quadrada de oitenta e um eu já sabia em plena quinta série ginasial, tudo isso graças aos ensinamentos de matemática ministrados pela grande mestre e um segundo pai para mim que fora o meu padrinho professor Raimundo Parente...

A cidadania, e muitas outras coisas relacionadas ao trato com as pessoas eu adquirir nas aulas de Educação Moral e Civismo e OSPB, ministradas pela então competente professora Socorrinha filha do Senhor Vilar Fontenele...

Aí sim... Terminado o Ginásio, tinha que adentrar no tão sonhado segundo grau... Novamente, (É o novo!!! Royalties para Neno Cavalcante do diário do nordeste...)

Como não queria ser professor, (mas fui assim mesmo por quase vinte anos) não estudei a Escola Normal por completo. Complementando e reforçando o segundo parágrafo desta simplória cronica, agora sim, com muita dificuldade, já não era certa dificuldade, fui estudar em Sobral no recém-nascido colégio Professor Luciano Feijão, onde me preparei durante dois anos,entrar na faculdade...

Naquela época era um grande feito passar no vestibular. Só tinhamos a UVA, e em janeiro de 1989 desta terra, apenas eu e o imortal Fernando Machado de Albuquerque obtivemos exito no certame. Ele na faculdade de letras, e eu novamente me adentrava (hoje creio que por engano) na Faculdade de Engenharia Operacional. Uma espécie de oitenta por cento de uma engenharia civil... Era o que eu podia alcançar...

Depois de quatro anos, fazendo muitos cálculos a lápis, minha habilidade com os números era estupenda... quem dera ter sido sempre assim com as letras... e muito rabisco em papel manteiga conquistei o título de Tecnólogo...

Era “quagi” um dôtô!!!

Não fui bem sucedido na profissão, e esqueci o nanquim, a régua paralela, os gabaritos... Deixara para trás os cálculos estruturais que aprendi com tanto esmero nos manuais de Aderson Moreira da Rocha...

Mas carregava com satisfação o diploma superior que com tanto sacrifício pude emoldurar e colocar na parede... Meu pai e minha mãe já poderiam dizer com satisfação matuta que tinha um filho “dôto”!!!

Passaram-se vinte anos desta conquista... Enveredei por outros ramos da atividade humana que dispensaria com certeza tal qualificação... Me servira apenas os conhecimentos que utilizei para ministrar aulas de física, química e matemática para alunos, muitos deles hoje eu tenho a satisfação de vê-los vencedores... O velho diploma amarelado pelo tempo já não vale mais tanto...

O comércio do conhecimento, que vende em suaves prestações nas mais variadas áreas do conhecimento humano, inclusive os ligados à saúde das pessoas, diplomas de graduação, especialização e tantas outras bugigangas (não se precisa mais tanto esforço, raciocínio, cálculos e tudo mais) me diz que aquele velho papel já não tem mais valia alguma...

Hoje posso me considerar um jerico... uso jerico para não ofender aquele a quem o Pe. Antonio Vieira definiu como nosso irmão... Seria demais para o bichinho... Mas não tem nada não... A essas alturas não me habilitaria a adquirir mais um título desses... Para que? Para quê?

Tenho dito... E sempre!!!



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