Vejam a velocidade com que os governos levam nosso suado dinheirim...

segunda-feira, 11 de março de 2013

Juá demais é veneno... de autoria do poeta popular Antonio Idavan Luz Moura




Já dizia minha avó
quando eu era pequeno
tudo na vida da gente
sendo demais é veneno
mas eu nunca entendi
nunca pra isso liguei
pois eu fui danado
mas certo dia então
vi que vovó tinha razão
o conselho não era errado

Pois num dia de domingo
eu sai de manhãzinha
fui pra mata com baladeira
ver se matava rolinhas
mas doutor me acredite
num matei num um sibite
pra mode eu merendar
mas de repente eu olhei
na minha frente avistei
um grande pe de juá

Chega tava amarelinho
o peste do juazeiro
e eu por ser guloso
parti pra lá bem ligeiro
e quando eu fui chegando
já fui logo balançando
pras fruitas cair no chão
era caindo, eu comendo
e a minha pança enchendo
fiquei igual um balão

Mas depois seu dotô
foi que eu me vi aperreado
pois comi tanto juá
que fiquei de gogó inchado
chega fazia tongo... tongo...
a pança cheia de mondrongo
era aquela fuleragem
ai me deu um arrepio
quando correu um vento frio
lá na boca da embrenhagem

Aí dotô me acredite
a dor começou acochá
o bucho tava tão cheio
que eu num podia andar
foi nessa hora então
que eu não maior aflição
resolvi voltar vexado
sai bem devagarinho
parecia um bacorinho
com o bucho empanzinado

Quase eu não boto em casa
mas até que cheguei lá
contei tudo a minha mãe
a velha quis se zangar
a bateu a mão à correia
disse: tu vai entrar na peia
pra não ser esgalamido
e eu todo me tremendo
Gritei: -A senhora não tá vendo
que eu estou entupido?

Nesta hora seu menino
a veia se aperriou
mandou chamar os vizinhos
o meu pai também chegou
e eu que nem uma briba
fique de perna pra riba
mandei mamãe assoprar
e quando mais assoprava
é que a dor aumentava
e eu danado a gritar...

Aí trouxeram um chapéu
um assoprava outro abanava
naque grande aperreio
é que a dor aumentava
tava grande a minha pança
eu já quase sem esperança
só me tremendo de medo
aí meu pai aperreado
gritou muito avexado
eu vou empurrar o dedo...

Aí eu disse: Não sinhô!!!
isso num dá certo não!!!
aí ele disse: -meu filho
é a única solução!!!
se você quiser viver
tem que deixar eu meter
o dedo na sua garupa
para tirar o juá
eu comecei a gritar
não meta que me estrupa...

O velho pensou um pouco
naquele grande alvoroço
E disse arrumei um jeito
para tirar os caroços
ai gritou bem ligeiro
traz um espinho de cardeiro
que quero ver se não sai?
aí dotô nesse momento
eu já quase sem alento
gritei... gritei... ai ai

Ai meu pai cutucou
com o espinho bem na beira
saiu o primeiro caroço
com a força da baladeira
pois vinha igual uma bala
e pegou mesmo na mala
que tava assim atrepada
derrubou ela no chão
e quando olharam então
a mala tava furada

Uma tremenda caroçada
vei mesmo pra arrebentar
se pega na testa dum
não tinha como escapar
e nessa hora então
rezaram uma oração
pra vir o resto que tinha
ai soltei um danado
eita que peido arretado
que deixou o coro assado

Nessa hora seu menino
foi juá pra todo lado
quebrou um bando de telhas
ficou o chão ensopado
mas dotô me acredite
a filha de tia Judite
que tava la espiando
levou uma coroçada
chega ficou emjambrada
e foi logo desmaiando

Mas era tanto juá
espalhado no terreiro
que entalou uma porca
e um bode pai de chiqueiro
ficou de bucho quebrado
e um perú vei pelado
num pode mais nem andar
e o telhado da casa
parece que criou asa
vuou todo pelo ar

E o povo todo assustado
foram por ali chegando
e eu sentado no chão
fiquei somente espiando
era feia a putaria
o meu bucho parecia
que dentro não tinha nada
tava igualmente um saco
pois es estava mais fraco
que lavagem de espingarda

Ah dotô quase me acabo
naquele grande aperreio
só de tanto me espremer
fiquei assim muito feio
mas hoje em dia assim
se vierem dar pra mim
um fruto de juazeiro
eu num como nem pagando
pois ainda tô lembrando
do espinho de cardeiro...

30/03/1995



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