Vejam a velocidade com que os governos levam nosso suado dinheirim...

domingo, 12 de outubro de 2014

Da série: Melancolia...

Era meados do ano 1968, mas precisamente sete do mes de julho em plena repressão do governo Artur Costa e Silva general da chamada linha dura que viria em dezembro do mesmo ano instituir o mais terrível decreto institucional dos anos de chumbo, o terrível e temido Ato Institucional AI-5, chorava pela primeira vez aqui na terra, mas precisamente no pé da Serra da Penaduba, o mais revoltoso de todos os revoltosos (pelo menos quando o assunto é o verbo, já que na hora do cheiro de pólvora, já senti tantos nos ultimos tempos o homem não se sustenta em pé) que esta terra sucupirana pariu no último século.

E nada fora fácil... A começar pela refeição logo nos primeiros momentos de vida um angú azedo (de tando chorar algum gênio sugeriu matar a fome do bruguelo com mingua de puba. Ao meu anjo de guarda inda hoje rogo graças por tão velada proteção).

Crescido no regime, sempre atento ao modo calado dos pais. O regime não permitia muita discussão política e qualquer um poderia ser denunciado...

A genitora, uma professora leiga ("-A ignorancia é uma benção Royalties para o personagem Cypher do filme Matrix) e o pai um agricultor pouco politizado fizeram do lar um espaço de poucas discurssões políticas. Apenas politica. O "protagonisado" bipartidarismo ARENA-Aliança Renovadora Nacional, agremiação da direita militar versus DB-Movimento Democrático Brasileiro, agremiação da resistência amordaçada pouco importava para aquele ambiente.

E tudo continuava difícil...
Veio as primeiras eleições diretas para governadores em 1982 e os meus quatorze anos não enguliam o fato de mesmo com pouca divulgação em mídia (que mídia? Apenas um Rádio ABC canarinho movido a quatro pilhas Ray-O-Vac, as amarelinhas) mas muitas chapas em papel jornal já marcadas em negrito...

E tudo continuava difícil... Aí veio a redemocratização do pais. Era o ano de 1985. Depois das grandes campanhas e comícios pelas diretas já no anod de 1984. Se os adolescentes e jovens de hoje pudessem ver em tela os rumos e horizontes meu e de tantos outros naqueles remotos tempos, ririam ou chorariam... Muuuuuito... Acho que chorariam...

Ainda não foi daquela vez... Tivemos eleição para presidente. Mas eleição indireta. Dois candidatos. Maluf e Tranquedo.

E tudo continuava difícil... Aí veio a primeira eleição presidencial direta. Era o ano de 1989. O podo sedento por eleger seu presidente viu parte da massa alienada engulir o candidato da direita golpista (leia-se elite branca e conservadoras, capital expeculativo, mídia e outros.) para imediatamente após a posse dar o maior calote que se tem registro na população que o elegera e nos adversários também.  Quem aí não lembra do bloqueio da poupança nos anos noventa?

O brasileiro em sua totalidade à excessão dos amigos do rei levaram a maior rasteira que se possa imaginar.

E tudo contiuava difícil... Aí veio o impeachment. Cursando Engenharia Operacional de Construção Civil na Universidade Vale do Acaraú partimos em setembro do campus da Betânhia rumo ao centro em caminhada todos de preto. Fora alí naquele ano meu batismo na luta de classes. Uma pena. Naqueles remotos e difíceis tempos ninguem portava uma máquina fotográfica sequer e muito menos a imprensa foi lá. Era coisa feita com vontade mesmo. Com garra. Não era apenas para postar depois nas redes sociais não... No final ao que me parece enviávam um relatorio sobre o movimento. Número de participantes etc. Deu resultado: Em dezembro do mesmo ano o presidente caçador de marajás renunciaria...

E tudo continuava difícil... Terminei o curso. A recessão reinante no pais não me permitira a realização dos sonhos mais básicos de um jovem adolescente recem formado. Um verdadeiro "rapaz latino americano e sem dinheiro no bolso" (Royalties para o compositor Belchior) Tudo fora deixado para tráz. Tudo... Sonhos... Planos... Projetos... Paixões... Tudo... Tudo mesmo... O caminho fora longo e nunca fora permitido retorno... Os fragmentos de uma vida... As peças vitais e mais importantes da vida tinham sido perdidas... Quase que para sempre...

E tudo continuava difícil... O pesadelo dos anos noventa, apesar da estabilização econômica e da moeda que tinha perdido uns nove zeros,  ajudara a piorar a vida de idosos, adultos e jovens. Tião que o diga... Sou testemunha ocular de sua desventura...  A virada do século era de esperança... Muita esperança... O novo milênio adentrara trazendo luz ao pouco de força e garra que o brasileiro ainda tinha depois de tantas lutas e expoliações por parte do Estado tirano e elitista.

E tudo continuava difícil... Em 2002, na quarta tentativa eis que chega ao poder central o torneiro mecânico. Um homem vindo do povo e que sabia as demandas de sua gente. Sem diploma governou e mudou para melhor a vida de milhões de basileiros. Muitos Tiãos... Por oito anos nos dois mandatos conquistados pela vontade do povo sofrito e à revelia da elite golpista trabalhou em prol dos que durante cinco séculos foram usurpados e escravisados para manter o luxo das oligarquias. De tão bom que era até para as oligarquias levou beneses.

Aí as coisas melhoraram... Sua indicada para continuar as mudanças também seguiu a sua cartilha. 

E hoje quando tudo se estabiliza vemos todas as conquistas dos últimos dez anos serem ameaçadas pela mesma elite exclusivista se servindo de uma massa que já nasceu no boom do governo popular... Por desinformação ou por egoísmo muitos dos que servem de bucha de canhão para os golpistas brancos atiram no próprio pé negando as conquistas sociais adquiridas com tanta facilidade. Tivessem passado por que passou a minha geração viriam quanta burrice comentem... Mais ainda é tempo de repensarmos... Basta que com atençao esmerada se acuidem de ficarem informados sobre a história recente desta país de lutadores...

Tenho dito... E sempre!!!





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